Um quase jornalista
Mesmo considerando-se um curioso e early adopter de inovações e com back ground da família – primos mais velhos que já trabalhavam com Tecnologia – a escolha de Jorge Stakowiak pela área não foi de primeira. E a dúvida entre TI e Jornalismo fez com que prestasse vestibular para as duas áreas, mas a Tecnologia acabou prevalecendo. Jorge é hoje o CIO do GrupoSC, o maior distribuidor de medicamentos do País.
Já nos primeiros anos de faculdade foi fazer estágio em uma empresa prestadora de serviços para a HP, no suporte técnico, assumindo mais tarde a liderança da área e foi então chamado pela própria HP para permanecer na empresa. “Dei muita sorte de começar em uma empresa grande que me deu muito suporte.”
Depois de cinco anos mudou de lado e foi trabalhar na Orbitall, processadora de cartões de crédito composta pelo Itaú, Unibanco, Citibank e Mastercard onde cuidou de infraestrutura e gestão de projetos como o do Cartão do Pão de Açucar e da Americanas. “Sempre vi a tecnologia, mesmo quando pouco se falava disso, como próxima do negócio e às vezes era o próprio negócio e minha intenção sempre foi estar na liderança da estratégia.”
Na EDS liderou os projetos de tecnologia do Bank of America numa experiência que qualifica como incrível com pessoas do mundo todo e tudo feito em inglês, o que o fez desenvolver muito o idioma. Entre os mais de 40 projetos sob sua gestão, Jorge destaca a mudança da agência do Bank of America que fica dentro do Pentágono para um contâiner enquanto o local original era reformado. “E tudo feito de forma remota e com prazo apertado de três semanas.”
De lá e mantendo-se no mundo financeiro, “onde os investimentos em tecnologia sempre se concentraram”, Jorge vai para a Redecard, processadora dos cartões Mastercard, como responsável por aumentar a resiliência de todo o processo de captura de transações da rede. Este projeto veio depois de um problema ocorrido no final do ano, mais especificamente no dia 24 de Dezembro de 2009, dia tradicionalmente de maior volume de transações no País (dezenas de vezes superior aos demais dias) quando então a rede ficou indisponível por muitas horas.
Este ficou conhecido como o dia do “Apagão dos Cartões”. Isso porque o problema acabou afetando também a rede concorrente. Ele explica que muitas pessoas possuíam cartões das então duas bandeiras existentes na época e na impossibilidade de fechamento da transação com uma partiu para utilizar a outra que com isso também não conseguiu atender a demanda. “Eu diria que o ocorrido foi um divisor de águas em termos de uso de novas tecnologia como cloud e outras.”
Saindo da área de Finanças, Jorge assume com gerente na Qualicorp, administradora de planos de saúde. Entre os desafios, destaca a modernização da infraestrutura para administração do relacionamento com todos os planos com os quais a empresa interagia. De volta ao Financeiro, assume posição na Alelo, empresa de benefícios, como gestor de serviços de Tecnologia e mais tarde chega a Superintendente de TI.
Depois de sete anos na Alelo, Jorge migra para a Natura para assumir a direção de Infraestrutura e Operações da América Latina no momento pós fusão com a Body Shop e a Avon, quando foi criada a Natura & Co. Isso aconteceu em plena pandemia o que fez com que ele só viesse a conhecer seu time pessoalmente muito tempo depois de ter assumido o cargo.
No DASA, um complexo de Saúde que na época já reunia cerca de 60 marcas em diagnósticos como Delboni, Alta, Lavoisier, entre outros, Jorge chega também em um momento em que a empresa estava adquirindo novos laboratórios, alguns hospitais e clínicas oncológicas. Ele assume a diretora da área de Infraestrutura e Arquitetura para fazer a consolidação das empresas adquiridas e revisitar a arquitetura corporativa cuidando de sistemas core ligados ao negócio.
Depois de cinco anos e em seu caminho rumo à ocupar a liderança da área de TI como um todo, Jorge inicia sua trajetória no GrupoSC, o maior distribuidor de medicamentos e produtos de Higiene, Beleza e Nutrição do País que atua na intermediação entre a indústria e as farmácias, que hoje somam mais de 90 mil estabelecimentos em todo o Brasil. Segundo Jorge, pedidos de farmácias feitos até às 18 horas em qualquer lugar do País são entregues no dia seguinte até às 15 horas. O grupo, que reúne 12 mil colaboradores, é composto pelas marcas Santa Cruz e Panfarma que atendem às farmácias e Oncoprod, que atende clínicas e hospitais de tratamentos especializados como oncologia.
Na empresa há pouco mais de seis meses, Jorge tem como missão reorganizar a área de tecnologia para que ela acompanhe o grande crescimento do grupo e garantir a confiabilidade na área de TI. Outros projetos visam o atendimento à reforma tributária, segurança da informação e inovações para o dia-a-dia do negócio com o uso de IA e machine learning.
Os focos hoje são a experiência do cliente, que são as farmácias, e dos agentes de venda. Para estes últimos, que lidam com uma grande variedade de produtos em seu dia a dia, foram criados agentes com assistentes virtuais que auxiliam na busca de informações de produtos de cada segmento. No caso das farmácias, os agentes têm por objetivo facilitar a realização de pedidos ou de eventuais devoluções e garantir um melhor aproveitamento de ofertas, soluções na direção do que Jorge tem como objetivo de uma TI cada vez mais estratégica.


