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Entrevista com Francisco Massaro, CIO

Entrevista com Francisco Massaro, CIO

Francisco Massaro é CIO com larga experiência em Supply Chain. Ele defende que CIO tem que ter a ambidestria de manter “a luz da empresa acesa” e, ao mesmo tempo, olhar para o futuro e viabilizá-lo por meio da tecnologia. Conheça sua história nesta edição da Bastidores da TI. Boa leitura!

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Paixão e oportunidades

 

Francisco Massaro conta que teve três direcionadores que marcaram sua decisão por TI. O primeiro foi um tio que atuava na área e que o fez vislumbrar na Tecnologia uma carreira dinâmica e com grande perspectiva de crescimento. O segundo foi ter vivenciado a automação dos check outs quando trabalhava como operador de caixa em um supermercado no município Embu das Artes, em São Paulo. Por fim, seu pai, metalúrgico, o inspirou pelo ponto de vista de quem trabalhava com algo que gostava e que tinha alta demanda por profissionais no mercado. Fazendo um paralelo com seu gosto por Tecnologia ele diz que em TI “uniu paixão com oportunidade de carreira.”

 

Francisco participou da primeira turma de Sistemas de Informação da Universidade de São Paulo. Ele divide sua carreira em três partes. A primeira, como analista de Suporte e Sistemas. Em abril de 2007 entrou no Programa de Estágio da Unilever, que considera um marco em sua carreira. “Foi quando tive contato com uma TI mais profissional, mais orientada a processos.” Ficou seis anos na empresa passando por desenvolvimento de projeto, que considera sua segunda fase de carreira. No período seguinte, atuou na liderança de projetos de TI para Supply Chain, quando viveu sua primeira experiência na implantação de um ERP. “Foi um projeto enorme e aí começou de forma intensa a terceira fase da minha carreira, quando me especializei em Supply Chain trabalhando para América Latina.”

 

Na farmacêutica Bausch Health liderou o escopo de Tecnologia de uma aquisição realizada pela empresa e a atualização de versão do ERP SAP. Foi para a PepsiCo no final de 2013 como Business Partner de TI para Supply Chain e liderou a TI do projeto piloto da torre de controle logística, modelo que posteriormente passou a operar em mais de 30 países e se tornou um estudo de caso de transformação de Supply Chain do Gartner. Ele conta que a demanda da companhia era converter a área de transporte de um centro de custos para um centro de receita. E o projeto levou à criação de uma empresa de Transporte dentro do grupo, a Peplog, que continua em operação.

 

O projeto foi desenvolvido ao longo da pandemia, período em que Francisco fez seu mestrado e hoje atua também como professor coordenador do MBA Executivo em Chief AI & Data Officer da Fiap. Recebeu então convite da Ingredion, antiga Refinação de Milho Brasil, para criar a área de Transformação Digital e o laboratório regional de Ciência de Dados e IA, desenvolvendo projetos relacionados à eficiência em planejamento de vendas e operações, melhoria do nível de serviço, automação financeira e eficiência no chão de fábrica que ajudaram a empresa a readquirir sua posição de destaque no ranking de empresas inovadoras.

 

No Elis_ grupo francês com mais de 50 mil funcionários dos quais 13 mil no Brasil, faturamento de 5 bilhões de euros e que atua na área de lavanderia industrial e locação de material têxtil para hospitais, hotéis e para a indústria _ Francisco ingressa como CIO regional Latam para integrar a área de TI então fragmentada fruto de fusões e aquisições que foram a base de seu crescimento. Seu primeiro passo foi fazer a integração com a TI corporativa, na França, e a modernização do legado

 

Liderou a padronização da infraestrutura de TI, de modelos de cibersegurança, de Suply Chain, do ERP e da base de analytics. “Antes havia uma colcha de retalhos, com empresas que foram adquiridas pelo grupo cada qual usando seu próprio legado”, diz, acrescentando que o princípio foi “menos é mais”, considerando pessoas acima da tecnologia e um processo mais inteligente de priorização das demandas. Francisco nunca havia atuado neste segmento de negócio e diz que é como um MBA, usando sua experiência em TI para Supply Chain. “Na prática, é uma empresa de logística. São mais de 160 pontos de higienização de roupas na América Latina”, explica.

 

Já em seu primeiro ano, uma solução desenvolvida no Brasil com uso de IA foi adotada por toda a organização: um chat bot para automatizar remessas adicionais de roupas para o cliente, em caso de necessidade. Antes o pedido fora do que estava programado era feito por meio de ligação telefônica e tinha que ser então imputado no ERP. Hoje, o próprio agente de IA já programa a nova entrega o que contribuiu para elevar em três pontos o SLA da empresa. “O time passou a ter uma atuação mais tática e estratégica com foco em gestão do relacionamento com os clientes.” No processo foi criada um avatar, a Elisa, uma atendente de gestão de serviços. ‘Além de integrar novas aquisições de empresas com maior facilidade a partir da base construída, foi possível também finalizar escopos pendentes de aquisições realizadas”, completa.

 

Seu foco hoje está no binômio aprendizado e crescimento buscando cada vez mais a TI como transformadora do negócio. E acrescenta que a seu ver o CIO tem que ter esta ambidestria de manter a luz acesa e, ao mesmo tempo, olhar para o futuro e viabilizá-lo por meio da tecnologia.

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