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Entrevista com Etianne Torres, CIO

Entrevista com Etianne Torres, CIO

O título que escolhi para esta coluna “Agora sim, Eu e a TI nos encontramos” tem por base a afirmação de Etianne Torres, executiva de Tecnologia que até o final de 2025 liderava a área de TI do Grupo Leveros, uma das maiores empresas brasileiras do segmento de climatização, com atuação em varejo, distribuição e soluções para ar-condicionado e refrigeração. Etianne explica que durante muito tempo em sua carreira duvidou se a então chamada “Informática” era mesmo para ela. Entenda como isso marcou sua trajetória profissional e o caminho que a levou à liderança executiva em Tecnologia. Boa leitura!

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“Agora sim, Eu e a TI nos encontramos”

 

Baiana de Vitória da Conquista, Etianne conta que aos 14 anos, ao perceber que na sua cidade natal as opções de carreira seriam contabilidade e o magistério (sua mãe era professora) e não se vendo em nenhuma das duas profissões decidiu ir para São Paulo sozinha. Ao chegar à capital paulista, trabalhou como recepcionista de uma escola de Informática onde era responsável por preparar os microcomputadores colocando os respectivos disquetes para quando os professores chegassem. Depois de um ano, seu pai veio morar com ela e em seguida sua mãe e irmã. Por meio do então chefe da mãe foi contratada como assistente administrativa na Xerox.

 

Era a época do Bug do Milênio, quando então teve contato com internet, ainda discada, e quis o destino, como ela diz, que se juntasse ao grupo da EDS para o projeto da virada. Etianne conta que as pessoas viam nela um potencial para a área de Informática que ela mesma não reconhecia. “O que eu queria mesmo era administração”, reforça. Já na faculdade de Administração, relata o papo com um professor que ao percebê-la chateada a chamou para conversar, quando ela explicou que estava insatisfeita com área onde atuava. A sugestão foi, então aprenda a administrar tecnologia. “E aí iniciei a virada de página”, diz.

 

Trabalhando na área de vendas em uma empresa de resinas plásticas, seu espirito inquieto e achando tudo muito repetitivo, desenvolveu ela mesma um sistema que a permitia visualizar os clientes que ainda não tinham feito seus pedidos e dirigia seus contatos a eles. Assim passou a se sobressair pelo volume de negócios fechados, chamando a atenção da presidência. Como resultado, passou a ocupar a gerência da área.

 

Logo depois, a empresa foi adquirida por um concorrente, o Grupo Piramidal, e no processo de fusão Etianne ficou responsável por fazer a integração e modernização da TI e gerar e implementar a nova identidade tecnológica do grupo no que ela considera ter sido um dos maiores desafios de toda a sua carreira.  Liderou a integração de sistemas de três grandes empresas num processo de fusão e aquisição. “Foi um momento muito disruptivo”, diz, admitindo que não se sentia preparada para o cargo por não ter, na época, a bagagem técnica necessária “e nem gerencial”, completa. E foi o que a levou a um MBA de Gestão Empresarial, uma pós em redes de computadores e vários cursos e certificações técnicas, e começou também a dar aulas de Tecnologia na Universidade Uninove.

 

Apesar de até aquele momento ainda não ter certeza absoluta de que Tecnologia deveria ser realmente sua área de atuação, Etianne diz que na academia percebeu que seu papel era o de liderar usando a tecnologia como meio para a transformação do negócio. “Aquele momento foi o start, quando aceitei este papel, e a partir daí minha carreira se transformou.”

 

Depois de oito anos na Piramidal, Etianne foi para o Grupo M5, proprietário, entre outras, da M Officer, comércio de roupas, onde assumiu como gerente de processos. “Quando percebi, estava novamente envolvida com TI em uma virada do ERP e consolidação de sistemas e decidi: agora eu sou TI”, conta. E completa: “a TI sempre me chamou.” Neste ponto, foi trabalhar com consultoria em busca de mais conhecimento em negócios e percebeu que a mudança só acontece quando a alta direção entende que a tecnologia é um habilitador de transformações e que não pode ser vista como um suporte, mas sim como estratégica.

 

Etianne ficou por dez anos no segmento de consultoria onde conta que apesar de ter tido questões pessoais por se ver entre o contratado e o contratante, às vezes oferecendo soluções que ela mesma não achava necessárias, desenvolveu habilidades importantes como negociação e comunicação, entre outras. “E isso é parte do que passo para o meu time até hoje, inclusive dividindo o risco, e o resultado é sempre melhor.” Ela destaca que outro grande fator de aprendizado foram as aulas, onde os alunos traziam questões atuais que sempre a alimentaram.

 

De volta ao mercado depois da licença maternidade e muito confusa sobre como conciliar a função de profissional à de mãe, Etianne conta que obteve do então chefe um grande apoio, permitindo que ela trabalhasse em home office, algo que não era comum naquela época. Em 2018, migrou da consultoria para um dos clientes, a Gera, empresa que cuida de omnicanalidade de grandes companhias do setor de Beleza, entre outros, e no passo seguinte assume a Liderança de Projeto no Wall Mart, onde viveu a saída do grupo americano dos negócios no Brasil. Em 2020, chega ao Carrefour como Gerente de TI Sênior onde realizou diversas mudanças sistêmicas e de infraestrutura que levaram à alavancagem do negócio, eliminando paradas e outros problemas que aconteciam na época

 

No Grupo Leveros, fabricante de equipamentos de climatização, Etianne chega ao cargo de Executiva de TI com o desafio de reconstruir uma área que ficou sem líder e bastante desestruturada, como relata. A busca era por alguém que desse um corpo para o departamento e entendesse as demandas do negócio. Etianne liderou projetos relacionados à plataforma de apoio ao negócio que atendessem a empresa como um todo tendo a tecnologia como um alavancador. Estabeleceu governança, processo de cybersegurança e estruturação de dados visando a implementação de IA inicialmente na força de vendas, além de treinamento e capacitação do time, trazendo uma visão de tecnologia corporativa. “Aportando efetivamente tecnologia para o negócio”, completa.

 

No final de 2025, Etianne Torres se desligou da Leveros e foi se dedicar-se a um projeto pessoal nos Estados Unidos, unindo desenvolvimento acadêmico, aperfeiçoamento profissional e fortalecimento do segundo idioma. Durante esse período, estudou na The University of Akron, onde participou do Business Communication Program e do Management Executive Program, aprofundando conhecimentos em liderança, gestão executiva e comunicação global. Também realizou pesquisas sobre Inteligência Artificial aplicada ao ambiente corporativo, dando continuidade aos estudos iniciados em seu mestrado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Em sua dissertação, propôs um modelo de avaliação de maturidade tecnológica para aplicação de IA no varejo, conectando capacidades organizacionais, governança e geração de valor para o negócio.

 

Atualmente, atua em projetos de transformação digital para grandes empresas utilizando IA e defende que companhias que olham para o lado criativo são aquelas feitas para durar. “Não adianta falar de IA se continuamos medindo performance como se mede hoje”, afirma. E discorre sobre o que denomina de “tríade da aliança da IA”, formada pelo equilíbrio entre recursos humanos (Skills e Comportamentos) Recursos Tangíveis (Infraestrutura, Dados, Sistemas) e Intangíveis (Governança e Cultura).

 

Etianne destaca que assim como diversas líderes de TI mulheres um de seus desafios ao longo da carreira foi o de sempre ter que provar que era capaz superando, inclusive,  situações de assédio.” E afirma que a melhor resposta é trabalhar continuamente para aprender, superar e entregar resultado. “Não há argumento melhor do que uma boa entrega”, conclui.

 

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