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Entrevista com Ana Paula Oliveira, Head de TI do Fertgroup

Entrevista com Ana Paula Oliveira, Head de TI do Fertgroup

Depois da fixação por medicina cultivada ao longo da infância e adolescência, Ana Paula Oliveira, Head de TI do Fertgroup, grupo que atua na área de reprodução humana assistida, percebeu que talvez esta não fosse exatamente sua vocação. O gosto por matemática e a atração que a área de Tecnologia da Informação exercia na época a fizeram mudar de rumo, mas o curioso é que boa parte de sua carreira tem sido na área farmacêutica, um certo retorno à medicina, e hoje no Fertgroup conseguiu reunir suas duas paixões: a tecnologia e a medicina. Conheça nesta edição da “Bastidores da TI” a trajetória de Ana Paula e seus projetos atuais

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Adeus Medicina, Hello TI!

 

Quando pequena, Ana Paula Oliveira, Head de TI do Fertgroup – reprodução humana assistida com sede em São Paulo e clínicas em todo o País – estava decida a ser médica, mais especificamente pediatra, mas amadurecendo a ideia achou que talvez esta não fosse de fato sua vocação e o gosto por matemática a levou à Tecnologia da Informação. Ela lembra que nesta época a TI ainda era uma profissão predominantemente masculina, fato este para o qual seu pai chamou sua atenção por ocasião da escolha afirmando, no entanto, que ela tinha total condição de ter sucesso. De fato, em sua turma de faculdade eram cinco mulheres de um total de 60 alunos e três delas desistiram ao longo do curso.

 

Nascida em Petrópolis, região da serra do estado do Rio de Janeiro, Ana, Inquieta, como ela mesmo se define, começou a fazer estágio na própria faculdade, mas logo aquele trabalho não lhe parecia suficiente. Foi quando surgiu uma oportunidade em uma indústria farmacêutica instalada em Duque de Caxias, no pé da serra, e ela a abraçou. Pouco tempo depois, essa indústria foi adquirida pela sueca Pharmacia e com o domínio que tinha da língua inglesa, Ana foi convidada a ficar. Mais tarde, com a junção com uma nova empresa, dessa vez americana, o grupo decidiu mudar para São Paulo. E Ana Paula?

 

Mesmo recém-casada mudou-se para a capital paulista e num primeiro momento o casamento foi mantido na ponte aérea até o marido poder transferir-se também. Com a mudança, Ana conta que sua carreira decolou, com viagens para o exterior para conhecer a realidade da matriz e a implantação de projetos no Brasil nas áreas de infraestrutura, segurança da informação, processos internos e automação da força de vendas, entre outros. Uma nova fusão, desta vez com a Monsanto, e a compra da empresa pela Pfizer a levaram a um período que ela classifica como de grande aprendizado. Foi quando, em 2004, um ex-colega de trabalho a convidou para assumir a liderança de TI de uma farmacêutica italiana, a Chiesi.

 

“Comecei a TI do zero”. E conta que o CIO global praticamente entrou junto com ela e então desenvolveram muita coisa juntos. Foi quando passou efetivamente a liderar a área e teve oportunidade, ao longo dos dez anos em que permaneceu na empresa, de estabelecer a governança e políticas de TI, implantar o ERP, fazer a automação da força de vendas, implementar sistemas de apoio à decisão tanto nos escritórios quanto nas fábricas … “foi uma experiência sensacional”. Ela diz que quando implementou o ERP teve a oportunidade de lidar com o que mais gosta: o negócio.  “Acho que sou uma Head de TI meio diferente, para mim em primeiro lugar vem as pessoas, depois o negócio e aí então a TI.”

 

Ana diz que o projeto da sua vida até então, depois do seu filho, aconteceu nesta empresa e foi a implantação do ERP, na época da Datasul, hoje Totvs, que teve que ser defendido junto aos italianos. “Eles tinham um sistema próprio rodando na matriz e só desistiram de trazê-lo para o Brasil quando os apresentei as questões fiscais do País.” E acrescenta: “este foi o projeto da minha vida, fui para a Itália, vendi o plano para os italianos e caí de cabeça nesta implantação, tanto na área administrativa quanto na fábrica.”

 

No passo seguinte, Ana trabalhou na construtora Racional. “Mais uma vez começando a TI do zero e numa área bastante diferente do que tinha feito até então.” Até que novamente sentiu que precisava voar mais alto e chegou à WTorre, uma construtora de grande porte.  Em seguida surgiu a oportunidade de voltar para a indústria farmacêutica na Galderma. Com a promoção do seu chefe direto, a quem admirava muito e que assumiu América Latina, Ana se afastou da empresa e tomou uma decisão radical: tirar dois anos sabáticos para o que ela chamou de “aprender a ser mãe”, com seu filho a esta altura já com 13 anos.

 

No retorno ao mercado foi liderar a TI da Tópico, empresa que fabrica, aluga e vende galpões para grandes companhias das áreas industrial e do agronegócio. Na Tópico implantou ferramentas de automação da força de vendas, BI, entre outros, e o próprio ERP focando no business, “mostrando para a direção que a TI não estava ali para falar só de tecnologia e sim para ajudar o negócio a crescer.”

 

Em seguida, na Química Anastácio, Ana diz que teve como projeto inicial criar uma equipe de TI parceira de negócio e fazer com que fossem considerados realmente “um time”, implementando a governança da área, controle, inventário e estabelecendo processos de migrações de versões do sistema da Totvs que não gerassem nenhum tipo impacto para o negócio no decorrer de sua implementação. Deu certo! Começou também algumas iniciativas em IA instruindo a empresa sobre a tecnologia, treinando e incentivando seu uso, trabalhando sempre a questão da segurança, juntamente com a área de Transformação Digital.

 

Há seis meses no Fertgroup, empresa de medicina reprodutiva que oferece outros tratamentos, congelamento de óvulos e fertilização in vitro, Ana teve a oportunidade de reunir duas paixões, a tecnologia e a medicina.  Ela explica que o grupo, nascido em 2023, é um investimento da XP que nasceu por meio da aquisição de clínicas de renome no País com o objetivo de ajudar pacientes a gerar vidas. “E esse é um propósito incrível”, destaca. E acrescenta que o grupo está crescendo e que tem muita coisa a ser feita em TI. Ela conta que hoje o sistema que faz gestão dos processos de tratamento de todas as clínicas está sendo reimplantado para estabelecer um processo e uma cultura únicos nas 15 clínicas distribuídas pelo País. Também está em estudo o uso de IA para auxiliar no atendimento aos pacientes maximizando cuidado, reduzindo custos e ampliando a disponibilidade em termos de horário de atendimento.

 

Sobre o uso de IA, Ana diz que não tem volta, ou você adota ou você adota. “Mas não podemos esquecer das pessoas, da inteligência humana”, afirma. E destaca também a questão do relacionamento e da comunicação. “Penso muito em como preparar estes jovens para este mundo de hoje.” E com base em todas as suas experiências, Ana criou sua lista de propósitos, que engloba: fazer as pessoas com quem trabalha crescerem; construir uma TI corporativa e ter a área como grande parceira do negócio.

 

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