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Entrevista com André Telles, CIO da Coelho da Fonseca

Entrevista com André Telles, CIO da Coelho da Fonseca

“Usar a IA de forma inteligente e não apenas porque todo mundo está usando.” Este é o princípio de André Telles, CIO da Coelho da Fonseca, na adoção da tecnologia na empresa do ramo imobiliário no segmento de alto padrão com mais de 50 anos no mercado. André entrou na então Informática por um acaso, como ele conta nesta edição da Bastidores da TI. Boa leitura.

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Força do acaso

André Telles, CIO da Coelho da Fonseca, empresa do ramo imobiliário no segmento de alto padrão com mais de 50 anos de mercado, aderiu à área de TI num acaso, como ele conta. Nascido em Salvador, na Bahia, mas morando em São Paulo desde a infância e paulista de coração, como ele mesmo diz, aos 15 anos trabalhava no setor de contabilidade do então Banco América do Sul. Ao comunicar a seus gestores que iria procurar um outro trabalho por não estar satisfeito com o que fazia se surpreendeu quando lhe foi oferecida uma nova oportunidade justamente na área de Informática. “Foi ali que começou minha trajetória em Tecnologia. O que inicialmente surgiu como uma oportunidade acabou se tornando uma carreira.”

Atuando como desenvolvedor, conta ter se apaixonado por infraestrutura. Fez cursos de administração de sistemas e administração de redes até que sua carreira tomou novo rumo na bifurcação do Y e foi fazer um MBA em Governança de TI. A mudança aconteceu quando foi trabalhar no laboratório Elkis Furlaneto, que havia sido adquirido pela rede DASA, conglomerado que reúne diversos dos maiores laboratórios clínicos do País. André assumiu a coordenação do processo de fusão. Naquele momento sabia que o DASA tinha sua própria equipe de TI consolidada e que muito provavelmente seria desligado quando a fusão fosse concluída. Aceitou o desafio e o bom desempenho o conduziu a seu novo cargo e a um novo patamar de sua carreira.

O DASA vivia um momento de diversas aquisições e André foi então convidado a assumir a gerência da área de Fusões & Aquisições. Em quatro anos conduziu o processo de 16 fusões. Ele diz que seu primeiro aprendizado na época foi perceber que aquela “receita de bolo” que tinha em mente não se adequava à realidade. “Não é possível simplesmente padronizar tudo e substituir os sistemas e processos existentes. É preciso entender cada operação, considerar as particularidades do negócio e os objetivos da empresa para então fazer escolhas e encontrar o equilíbrio entre o que deve ser transformado e o que precisa ser preservado.”

A experiência em integração de empresas o levou à Coelho da Fonseca como Head de TI. A comoanhia iniciava um processo de reestruturação tecnológica e profissionalização para sustentar seu crescimento. Com o tempo, ampliou sua atuação para outras áreas, incluindo Cadastro de Imóveis e de Clientes e o suporte ao Serviço de Atendimento ao Consumidor. Depois de cinco anos, aceitou o convite para atuar na Transit Telecom, empresa de links e telefonia fixa com forte presença no sul do País. Como superintendente de TI, participou da preparação da venda da companhia, processo que acabou não se concretizando.

Em seguida, André foi para a Allis, empresa de trade marketing que buscava evoluir de um modelo de prestação de serviços para uma atuação mais orientada à inteligência de negócios para grandes redes varejistas. Paralelamente, tornou-se sócio da CIO on Demand, dedicada a projetos de tecnologia para pequenas e médias organizações.

Em 2015, retorna à Coelho da Fonseca como diretor de TI e Inovação. Diante dos sinais de uma crise no mercado imobiliário, um de seus primeiros desafios foi consolidar a operação e reduzir custos. Ele destaca que, ao longo de sua gestão, a área de Tecnologia passou a combinar continuidade operacional, eficiência, segurança e evolução dos sistemas. Entre os resultados alcançados, registrou uma redução de aproximadamente 45% nos custos anuais de TI, mantendo o foco na sustentação do negócio.

Com a chegada da pandemia, surge a necessidade de uma adaptação rápida. André já vinha discutindo com os sócios a possibilidade de trabalho remoto e lembra que a mudança acelerada para esse modelo reforçou a importância de uma infraestrutura preparada, processos claros e de uma gestão capaz de manter a operação e a colaboração das equipes. “Foi um período de grande aprendizado sobre como lidar com o time a distância”, comenta.

 

Hoje, André aponta como seu desafio o de trazer a inteligência artificial para dentro da companhia de forma prática e responsável. A proposta é usar a tecnologia para ampliar a capacidade de atendimento e liberar os corretores de tarefas operacionais, permitindo que dediquem mais tempo ao relacionamento com os clientes, contribuindo para uma experiência mais ágil a alinhada à necessidade de cada cliente. “A proposta é utilizar a tecnologia como apoio à experiência dos profissionais, combinando recursos digitais e conhecimento de mercado para gerar valor ao cliente sem perder de vista a importância do relacionamento humano no setor imobiliário”, afirma.

 

Para ele, o critério central é o valor gerado. “A inteligência artificial oferece possibilidades enormes, mas não basta usá-la porque todo mundo está usando. Precisamos entender onde ela resolve um problema, como se integra ao trabalho das pessoas e quais resultados entrega. O objetivo é combinar a capacidade da tecnologia com a experiência dos nossos profissionais para melhorar o atendimento e a operação.” E destaca que a adoção dessas soluções exige atenção à qualidade das informações, à privacidade dos dados e à supervisão dos processos. “A tecnologia deve apoiar as decisões e o trabalho dos profissionais com critérios claros de uso e acompanhamento constante dos resultados

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