A inteligência artificial começa a mostrar impacto concreto dentro das UTIs brasileiras. Na Samel, uma plataforma de IA integrada ao prontuário eletrônico já reduziu até 50% o tempo gasto por médicos com tarefas burocráticas, liberando horas para o cuidado direto ao paciente.
A plataforma, chamada SAMIA, atua como um suporte clínico em tempo real, cruzando automaticamente sinais vitais, exames laboratoriais, histórico médico, prescrições e balanço hídrico. A tecnologia consolida essas informações em segundos, estrutura evoluções médicas e emite alertas de segurança, como risco de interação medicamentosa, doses inadequadas e inconsistências na administração.
Na prática, a IA reorganiza o fluxo assistencial em quatro frentes: leitura inteligente do histórico do paciente; apoio à decisão clínica; estruturação automática da evolução médica e segurança medicamentosa e governança clínica.
Em um ambiente marcado por volume massivo de dados e decisões críticas, o ganho vai além da produtividade. A tecnologia reduz falhas por omissão e acelera respostas clínicas.
Antes da implementação da IA, a preparação de discussões clínicas complexas, envolvendo análise de exames, histórico e literatura médica, podia levar até dois dias. Hoje, esse processo é realizado em segundos, com um clique.
Em um dos casos relatados, o sistema identificou cirurgia neurológica realizada um ano e meio antes, dado que não havia sido informado pela família e que seria de difícil rastreio manual.
“Estamos falando de um ambiente de altíssima complexidade, onde decisões precisam ser tomadas em minutos. A inteligência artificial organiza essa complexidade, cruza dados e sinaliza riscos. Com isso, reduzimos drasticamente o tempo com burocracia e ampliamos o tempo de análise qualificada e presença junto ao paciente”, afirma Daniel Fonseca, diretor técnico da Samel.
Segundo ele, a tecnologia não substitui o médico, mas amplia sua capacidade de atuação com mais segurança, mais precisão e mais humanidade no cuidado. Além da eficiência operacional, a principal transformação relatada está na qualidade da decisão clínica. A consolidação de dados em tempo real reduz risco de omissões, acelera respostas em emergências e amplia a aderência a protocolos baseados em diretrizes internacionais .
Em um cenário de alta pressão assistencial, escassez de profissionais e crescente complexidade terapêutica, a experiência indica que o uso estruturado de IA pode funcionar como ferramenta estratégica para ampliar segurança, eficiência e, sobretudo, reforçar o componente humano do cuidado intensivo.


