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IA generativa é usada por 80% dos profissionais jurídicos no Brasil, diz FGV

IA generativa é usada por 80% dos profissionais jurídicos no Brasil, diz FGV

Pesquisa da faculdade de direito em São Paulo revela que 58% dos advogados utilizam a tecnologia diariamente, embora 77% das organizações ainda não tenham alcançado o retorno sobre investimento esperado

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O uso de ferramentas de Inteligência Artificial generativa no setor jurídico brasileiro avança de maneira acelerada, segundo pesquisa do Centro de Ensino e Pesquisa em Inovação (CEPI) da FGV Direito São Paulo, cerca de 80% dos profissionais utilizam a tecnologia com alta frequência, sendo que 58% o fazem diariamente. As principais aplicações envolvem pesquisa jurídica, automação de tarefas repetitivas, organização de informações e rascunho de documentos, evidenciando uma integração profunda da ferramenta no cotidiano forense. 

  

O estudo aponta uma tendência à automatização sem revisão humana especializada: 75% dos usuários utilizam sistemas de IA tanto para temas que dominam quanto para os que não dominam. Entre os 7% que utilizam pouco ou não utilizam a tecnologia, os entraves incluem falta de conhecimento, desconfiança na precisão e custos de revisão. Para esse grupo, a ausência da IA não compromete a qualidade das entregas, sugerindo que a adoção da ferramenta não é, por si só, um indicador automático de desempenho na percepção da classe. 

  

“Considerando o status atual da tecnologia e do papel da IA como ferramenta de apoio à atividade jurídica, esses dados reforçam a compreensão de que a supervisão humana, o dever de verificação e a responsabilidade profissional permanecem inegociáveis, tanto do ponto de vista ético quanto jurídico. E a operacionalização desse processo crítico depende de diversos fatores que contribuem para a qualidade do resultado e que abarcam adequado conhecimento jurídico e sobre o funcionamento das ferramentas”, explica Ana Paula Camelo, líder da pesquisa. 

  

Apesar da alta frequência de uso, a jornada de trabalho não sofreu reduções significativas. Mais da metade dos respondentes (52%) não identificou mudanças relevantes em sua rotina, enquanto 13% relataram aumento de trabalho e 28% indicaram diminuição. No campo organizacional, apenas 20% das instituições adotam frameworks formais de governança, e 46% carecem de comitês especializados. Essa lacuna de gestão reflete-se no fato de que 77% dos profissionais afirmam que suas organizações não alcançaram o ROI esperado ou desconhecem esse dado. 

  

No que tange às ferramentas, 78% dos advogados utilizam soluções pagas, embora ferramentas genéricas ainda prevaleçam sobre as especializadas devido ao custo elevado. Ana Paula Camelo alerta que isso pode intensificar desigualdades no mercado, já que grandes bancas desenvolvem modelos internos.  “A adoção informal de ferramentas não autorizadas, sem diretrizes claras de privacidade e segurança, constitui um vetor relevante de risco organizacional que precisa ser encarado”, reforça a pesquisadora. 

  

Sobre o mercado de trabalho, a percepção majoritária é de que a IA reconfigura funções em vez de substituir o advogado. “Profissionais em início de carreira, funções administrativas e atividades massificadas tendem a ser mais impactadas, ao passo que ganham centralidade competências como pensamento crítico, julgamento ético, gestão de riscos, comunicação e liderança”, afirma Marina Feferbaum, coordenadora do CEPI. A capacitação ainda é um gargalo, com 29% dos respondentes sem qualquer treinamento, o que gera riscos de dependência cognitiva e enfraquecimento de competências fundamentais. 

  

No campo regulatório e socioambiental, o debate ainda é incipiente, embora existam marcos como o PL 2.338/2023, falta operacionalização prática nas bancas. Além disso, 80% dos profissionais declaram que questões ambientais não impactam o uso da tecnologia, indicando que os custos de sustentabilidade da IA ainda não foram incorporados às práticas de ESG. O estudo conclui que a supervisão humana e a capacitação estratégica são os únicos caminhos para transformar a inovação tecnológica em valor jurídico real e responsável. 

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