A gestão hospitalar tornou-se uma das frentes mais intensas em tecnologia no país. Um levantamento da Fundação Getúlio Vargas estima em R$ 200 mil o custo anual de TI por leito nos hospitais privados, um dos indicadores mais altos entre os setores acompanhados. Grande parte desse investimento concentra-se em sistemas de gestão integrados (ERPs), que organizam a operação administrativa e financeira para conter custos sem comprometer a qualidade assistencial.
Para a TIVIT, multinacional de tecnologia do Grupo Almaviva, o desafio central reside no fluxo das informações. “Um hospital costuma operar dezenas de sistemas especializados que raramente conversam entre si, do prontuário eletrônico ao faturamento. Cada um guarda um pedaço do dado, e a falta de integração cria silos que escondem custos e atrasam decisões. É nesse ponto que entra o ERP, o sistema que consolida a espinha administrativa e financeira da operação”, explica Thiago Amante, Diretor de SAP Solutions Brasil na TIVIT.
O SAP é o ERP mais utilizado entre as grandes empresas brasileiras, segundo a pesquisa da FGV, mantendo forte presença na saúde. Fora do atendimento clínico, o sistema não substitui o prontuário ou os módulos assistenciais (HIS/PEP), mas integra compras, estoque, contratos e controladoria. Esse cruzamento permite mensurar os custos exatos de cada procedimento e rastrear a destinação de cada insumo.
Essa migração ganhou urgência com o prazo da própria SAP, que encerra em dezembro de 2027 a manutenção padrão do ECC, geração anterior do ERP, acelerando a transição para o S/4HANA. Nos hospitais, a mudança enfrenta uma condição crítica: a operação é ininterrupta, exigindo migrações que não afetem a assistência aos pacientes. Contudo, o retorno da adoção depende mais da revisão prévia dos processos do que da própria ferramenta.
“O hospital que extrai valor de um sistema como o SAP é o que o usa para apoiar decisão de negócio, para além do registro de transações. Isso exige revisar processos, padronizar operações e cuidar da governança do dado. Automatizar um processo ineficiente significa transferir um problema antigo para uma plataforma nova, abrindo mão da possibilidade de se adotar soluções inteligentes nativas que trazem benefícios imediatos para a companhia”, afirma Amante.
Quando essa base conversa com a ponta assistencial em tempo real, os gestores identificam gargalos operacionais antes que travem a rotina. Painéis analíticos e inteligência artificial passam a prever demandas, atuando diretamente na cadeia de suprimentos, setor onde medicamentos e materiais como OPME pesam significativamente no orçamento, evitando tanto o desperdício por vencimento quanto o desabastecimento.
“O futuro da gestão hospitalar será definido pela capacidade de integrar tecnologia, dados e inteligência de negócio. Vão se destacar os hospitais que conseguirem conectar informação clínica, operacional e financeira para decidir melhor e mais rápido. O SAP é peça central dessa gestão, mas entrega seu potencial quando opera dentro de uma arquitetura mais ampla de dados, automação e inteligência artificial”, conclui o especialista da TIVIT.


