A capacidade de governança nas grandes empresas passa diretamente pela estruturação formal de seus órgãos decisórios. Para analisar o funcionamento dessas estruturas, a Atlas Governance divulgou um estudo baseado nos Formulários de Referência de 486 companhias abertas enviados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O levantamento abrange 13 setores econômicos e compõe um dos panoramas mais detalhados sobre o tema no mercado brasileiro.
A análise revela que todas as companhias possuem diretoria estatutária, 89% contam com Conselho de Administração e 66% mantêm Conselho Fiscal, sendo que as três estruturas coexistem em 62% das organizações. Em média, os órgãos operam com cinco membros e registram 87% de assiduidade. “É importante que as empresas reflitam se a estrutura existente reflete a complexidade operacional do negócio. Esses padrões servem como benchmark para orientar o avanço da governança”, afirma Eduardo Carone, CEO e fundador da Atlas Governance.
O levantamento também traça o perfil da liderança: a idade média dos conselheiros é de 57 anos, com apenas 7% abaixo dos 40 anos e 41% acima dos 60. As mulheres ocupam 17% das cadeiras e 86% dos conselheiros se autodeclaram brancos, enquanto o percentual de negros em cargos de liderança nessas empresas atinge 34%. Além disso, 31% das companhias informaram relações familiares entre administradores, e 85% possuem controle acionário concentrado, majoritariamente brasileiro (95%).
A profissionalização reflete-se na remuneração dos executivos. Em 2025, os Conselhos de Administração distribuíram R$ 1,6 bilhão, com remuneração anual mediana de R$ 582 mil por conselheiro, enquanto as Diretorias Estatutárias somaram R$ 9,2 bilhões, com mediana de R$ 2 milhões por diretor. A especialização desses órgãos vem crescendo para responder a temas como riscos, cibersegurança, inteligência artificial e sustentabilidade.
O estudo aponta ainda uma correlação positiva entre maturidade digital na governança e desempenho financeiro. As organizações que utilizam plataformas especializadas para gestão de conselhos registraram valorização média das ações de 36% em 2025, contra 25% das demais companhias analisadas, além de apresentarem maior geração de caixa e margens operacionais superiores.
“À medida que o papel do conselho se torna mais estratégico, cresce a necessidade de processos estruturados e apoio tecnológico para a tomada de decisão. A digitalização da governança acompanha esse movimento e passa a fazer parte da infraestrutura das organizações mais maduras”, conclui Carone.


