A comunicação quântica, base da comunicação digital do futuro, começa a ganhar aplicações práticas no Brasil. Em Recife (PE), pesquisadores transmitiram correlações quânticas por fibras ópticas já instaladas na cidade, em um experimento que marca um avanço tecnológico nacional. O trabalho, apoiado pela RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa), foi conduzido por equipes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
A iniciativa faz parte da Rede Quântica Recife (RQR) e estabeleceu comunicação entre pontos distantes sete quilômetros entre si, diferente dos testes em laboratório, a experiência utilizou a Rede Ícone (Redecomep de Recife), enfrentando variações e interferências do ambiente urbano real. A tecnologia utiliza propriedades da física para detectar interceptações e proteger dados sensíveis.
“Aplicações em comunicação quântica são muito sensíveis a perdas nas fibras ópticas, nossos experimentos na Rede Quântica Recife mostraram que a tecnologia funciona em um ambiente fora do laboratório, em condições reais”, explica o professor Joaquim Martins, da UFPE. O sucesso reforça o potencial para setores que exigem segurança máxima, como os segmentos governamental e financeiro.
A infraestrutura da RNP foi essencial ao permitir o uso de pares de fibra óptica para os testes. “A infraestrutura da RNP não é apenas para sua operação, mas também como ambiente de experimentação para pesquisa e inovação. Foi esse modelo que possibilitou viabilizar a Rede Quântica Recife usando fibras já existentes”, afirma Eduardo Grizendi, diretor de Engenharia e Operações da RNP.
Os resultados foram publicados no Brazilian Journal of Physics, consolidando o potencial da rede urbana pernambucana. Agora, o próximo objetivo dos pesquisadores é expandir a rede para cerca de 40 quilômetros, conectando novos parceiros estratégicos, como as instituições localizadas no ecossistema do Porto Digital.
“O aumento do alcance da rede é um objetivo importante para explorar os limites da comunicação quântica e suas aplicações, por isso estamos buscando recursos para essa ampliação”, afirma o professor Joaquim Martins. A expansão permitirá testar os limites da tecnologia em distâncias maiores e cenários de uso ainda mais complexos.


