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Startups de indústria avançam com soluções tecnológicas e buscam escala, analisa pesquisa da Fiemg

Startups de indústria avançam com soluções tecnológicas e buscam escala, analisa pesquisa da Fiemg

Levantamento identifica 377 startups voltadas à indústria no país e evidencia maturidade tecnológica e ecossistema com geração de valor comprovada. 68% das empresas mapeadas já alcançaram contratos comerciais com indústrias e 75% integram hubs de inovação

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ecossistema de indtechs – startups e empresas de tecnologia desenvolvidas especificamente para o setor industrial – vem ampliando sua presença e relevância no Brasil, com soluções cada vez mais sofisticadas e orientadas a ganhos operacionais, conforme revela a pesquisa “Inovação digital na indústria: panorama das indtechs, gargalos e caminhos para a transformação”, realizada pela Deloitte e pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Aanalisaas soluções desenvolvidas e os setores econômicos atendidos por 377 indtechs, o estudo identificou oportunidades de expansão de negócios para áreas pouco exploradas, sobretudo governança ESG e soluções integradas para setores de alto risco operacional, e estratégicas para indústrias dos setores que mais se relacionam com essas startups.

As principais soluções oferecidas estão relacionas à produtividade, eficiência operacional e estabilidade de processos industriais. A Gestão da Produção é a mais recorrente, sendo ofertada por 32,4% das indtechs, seguida por Sustentabilidade e Meio Ambiente, por 23,1%. Soluções de Logística e Supply Chain, assim como de Manutenção e Gestão de Ativos, foram identificadas, cada uma delas, em 16,2% dastartupsAs áreas com menor atuação dastartups são Trabalho, Saúde e Segurança (11,1%) e Governança ESG (1,9%), o que constitui uma oportunidade de novos negócios e fortalecimento do ecossistema, uma vez que os segmentos mais atendidos pelas startups são mineração (53,4%), automotivo (35,2%) e alimentos e bebidas (33,6%) e que o contexto é de crescentes demandas regulatórias.

 

A pesquisa mostra que o ecossistema já passou pela fase inicial de experimentação e tem aderência às demandas industriais: 68% daempresas mapeadas alcançaram contratos comerciais com indústrias. “Esse dado demonstra que as soluções desenvolvidas estão sendo efetivamente incorporadas nas operaçõeindustriais, gerando valor concreto e uma integração cada vez mais fluida entre inovação e produção. Também evidencia que a confiança entre indtechs e indústria se fortalece e cria uma base para expansão dos negócios, ampliação de parcerias e desenvolvimento contínuo de soluções mais sofisticadas”, analisa Rafael Ferrari, sócio de Strategy & Business Design e líder de Soluções de Inovação da Deloitte.

 

Além dos contratos comerciais consolidados, a interação entre indtechs e indústrias se concentra principalmente em formatos tradicionais: 71% daempresas já possuem provas de conceito (PoCs) e 52% desenvolveram projetos-piloto para indústrias. Modelos de relacionamento mais avançado, como codesenvolvimento, programas de aceleração e investimento, são menos frequentes, mas já despontam para consolidar uma interação mais madura entre indústria e startups.

 

A pesquisa também evidencia a alta adesão aos hubs de inovação, com 75% daempresas mapeadas integrando esses ambientes. O resultado sugere que as indtechs reconhecem o papel dos hubs comestruturas estratégicas para conexão, validação e geração de negócios, funcionando como catalisadores para realização de pilotos e PoCs, acesso a decisores corporativos e aumento de visibilidade junto a empresas e investidores.

 

Nesse sentido, os hubs podem contribuir para vencer os principais desafios levantados na pesquisa: o acesso às grandes indústrias (58%), fomento e incentivo (51%), ambientes de teste – testbeds (48%) e mentorias/conexões (40%). Um dos principais gargalos está na transição entre a validação técnica e a escala comercial das soluções trazidas. Fatores como ciclos de decisão prolongados nas indústrias, com múltiplos níveis de aprovação, integração com sistemas legados e concentração de capital eestágios iniciais impactam no ritmo de crescimento.

 

“O que observamos no ecossistema brasileiro de indtechs não é uma limitação tecnológica. As soluçõeexistem, são competitivas e estão alinhadas com o que há de mais avançado globalmente. O desafio está em construir um ambiente em que essas soluções possam se desenvolver mais rapidamente e escalar. Há espaço para evoluir em direção a parcerias mais estruturadas, que favoreçaa integração de soluçõee ampliem seu alcance”, explica Rafael Ferrari.

Modelos de negócio e de investimento refletem foco eeficiência e retorno tangível

Com 45% das indtechs ainda bootstrapped, ou seja, financiadas com recursos próprios dos fundadores, o ecossistema demonstra uma forte cultura empreendedora, mas também evidencia os desafios de escalar sem capital externo.

 

As rodadas iniciais concentram a maior parte daempresas. O estágio Pre-Seed, voltado à transformação da ideia em um produto mínimo viável (MVP), representa 15%, enquanto o Seed, direcionado à validação do product-market fit, à estruturação da aquisição de clientes e à organização das métricas comerciais, responde por 10%. Juntas, essas fases somam 25% do total. Em contraste, a Série A, que marca o momento de escalar o que já foi validado, aparece de forma residual, com apenas 3%, evidenciando um funil bastante estreito rumo a estágios mais avançados.

 

A dificuldade de captação de recursos reforça esse cenário. Do total, uma parcela equivalente (45%) se financia com capital próprio, enquanto 15% recorrem a investidores-anjo para tirar a solução do papel. Outras 10% utilizam capital semente, principalmente para aquisição de clientes ou entrada no mercado, e 27% acessam outras fontes de financiamento. Apenas 3% chegam à Série Acom rodadas entre US$ 5 milhõee US$ 15 milhõevoltadas à expansão do negócio. Mais de 80% dos aportes realizados nessas empresas são inferiores a R$ 1 milhão.

 

Esse padrão mostra um ecossistema ainda jovem, com capital concentrado nas etapas de maior risco e validação inicial. Aportes mais robustos tendem a vir quando já há maturidade de produto, tração comercial comprovada e redução de riscos, o que reforça a importância de mecanismos capazes de acelerar essa transição”, afirma Junia Cerceau, gerente do Fiemg Anjos.

 

As prioridades tecnológicas incluem Indústria 4.0 & IoT (54% dastartups), Automação & Controle (35%), Qualidade e Controle de Processos (33%). Eficiência Energética (23%) também ganha destaque, tendo em vista a busca por redução de custos e maior sustentabilidade operacional. As soluções mais citadas são acom retorno de investimento mensurável e conectado ao fluxo produtivo.

 

O modelo de negócio predominante entre as IndTechs é o SaaS (Software aa Service), adotado por 58% daempresas, o que evidencia uma estratégia voltada à recorrência de receita, escalabilidade e retenção de clientes. Outros formatos, como customização, venda direta de produtos e de serviços, consultoria e HaaS, também estão presentes, compondo um portfólio diversificado.

 

Os investidores-anjo aparecem como principal fonte externa de capital, presentes em 47% dastartups. Fundos de venture capital participam em 41%, enquanto CVCs, private equity e family offices ainda têm atuação mais tímida.

 

Tendências incluem sustentabilidade, dados e segurança operacional

Por meio da análise integrada das soluções desenvolvidas e dos padrões de uso e de interesse, a pesquisa também identifica as principais frentes tecnológicas com potencial para desenvolvimento do ecossistema nos próximos anos. A sustentabilidade e práticas ESG passam a ocupar posição relevante nas operações. Também há potencial para soluções relativas à saúde, segurança e meio ambiente (SSMA), como monitoramento de riscos operacionais, gestão de segurança do trabalho, compliance regulatório e auditoria em tempo real.

 

Antes relacionados apenas ao âmbito da conformidade normativa, a segurança operacional e o SSMA consolidam-se agora como um pilar de inovação estratégica. As indtechs que combinarem a eficiência operacional com rastreabilidade, gestão de riscos e compliance tendem a trazer soluções mais completas para a captura de valor e fortalecimento do ecossistema”, conclui o sócio da Deloitte.

 

Perfil das indtechs e metodologia

A distribuição geográfica das indtechs mapeadas acompanha a estrutura industrial do país. O Sudeste, especialmente no eixo São Paulo-Minas Gerais, concentra mais de 60% do total daempresas mapeadas, sendo 33,7% em São Paulo e 27,6% em Minas Gerais. Em seguida, os estados com presença dastartups mapeadas são Santa Catarina, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Pernambuco, Bahia e Goiás, confirmando a presença do ecossistema em polos industriais. Essas startups possuem atuação nos setores de Mineração, Automotivo, Alimentos e Bebidas, Agroindústria, Logística, Energia, Celulose e papel, Petróleo e gás,  Construção e Engenharia. Além disso, o mapeamento inclui indtechs de diversos portes e níveis de receita.

 

estudo foi realizado com abordagem predominantemente qualitativa, combinando dados estruturados de base proprietária da Fiemgcomposta por startups que integram o ecossistema Fiemg Lab, e dados autorrelatados coletados por formulário digital. A pesquisa digital complementar foi realizada com startupsempresas industriais e demais atores do ecossistema e divulgada por meio de canais institucionais da FIEMG e ativações junto à rede de parceiros.

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