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SR-H-60-1

“Segurança digital deve ser tratada como uma questão de segurança pública”, diz Matheus Cadorin

“Segurança digital deve ser tratada como uma questão de segurança pública”, diz Matheus Cadorin

No Security Leaders Florianópolis, deputado Matheus Cadorin destaca avanço dos golpes virtuais e defende modernização do poder público para acompanhar a velocidade dos criminosos digitais

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Com trajetória ligada ao ecossistema de inovação e startups, Matheus Cadorin, Deputado Estadual (Novo-SC) e presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, ressaltou que segurança digital deve ser tratada como uma questão de segurança pública, e não apenas como um tema de tecnologia. Segundo ele, a resistência à inovação dentro das estruturas governamentais ainda é um dos principais desafios para acelerar essa transformação.  

 

O parlamentar abriu a agenda de conteúdo do Security Leaders Florianópolis e destacou que o principal obstáculo para enfrentar a criminalidade virtual não é a falta de tecnologia, mas a lentidão institucional e a dificuldade do Estado em adotar novas soluções. “O crime já é digital, mas o Estado continua muito analógico. Em segundos fazemos um Pix, em poucos segundos um criminoso comete um golpe, mas a resposta do poder público ainda leva muito tempo”, afirmou.  

   

Santa Catarina e a corrida contra o crime digital 

  

Durante a apresentação, Cadorin explanou sobre o cenário de crescimento dos golpes virtuais em Santa Catarina e, apesar de o estado ser reconhecido pela segurança no ambiente físico, ele se tornou um dos principais focos de crimes digitais no país, concentrando cerca de 25% das denúncias registradas no Brasil. O deputado reforço que esse número pode ser ainda maior devido à subnotificação, já que muitas vítimas deixam de procurar as autoridades. 

  

Segundo ele, os criminosos passaram a explorar técnicas sofisticadas de engenharia social, utilizando ligações, aplicativos de mensagens e redes sociais para criar situações de confiança e aplicar fraudes financeiras. Como resposta, Cadorin apresentou iniciativas desenvolvidas no estado, entre elas a criação da mais moderna delegacia de combate a crimes virtuais de Santa Catarina, estruturada por meio de uma parceria entre o poder público e a iniciativa privada, com apoio da empresa Armazém Cloud.  

  

A solução ampliou a capacidade de investigação da Polícia Civil, permitindo mais agilidade em processos como análise e extração de dados de dispositivos apreendidos. Para o deputado, essa colaboração entre Estado e iniciativa privada demonstra que a tecnologia deve ser encarada sob uma nova ótica pelas estruturas de governo.  “O crime digital não é um problema de TI, assim como a questão da tecnologia também não é. Isso é um problema institucional e de segurança pública”, afirmou. 

  

Além da infraestrutura policial, Cadorin também destacou mudanças legislativas para acompanhar a evolução das ameaças, incluindo a atualização das normas para contemplar golpes aplicados por meio de bots, chatbots, aplicativos de mensagens e redes sociais. 

  

O papel da Inteligência Artificial 

 

Outro ponto abordado foi o uso de dados e IA na gestão pública, o deputado defendeu que decisões precisam ser tomadas com base em informações concretas e não apenas em respostas imediatas a crises. “A inovação também está relacionada à melhoria de processos e à capacidade de tornar serviços públicos mais eficientes.  O futuro será dividido entre quem usa dados e quem usa achismo”, declarou. 

  

Ao finalizar sua participação, Cadorin reforçou que o setor de tecnologia precisa estar mais próximo das decisões públicas para contribuir com a construção de um Estado mais preparado para os desafios digitais. “O Estado precisa inovar, o crime está inovando, as empresas estão inovando, a sociedade está inovando. O Estado também precisa acompanhar essa inovação”, concluiu.

 

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