A Inteligência Artificial (IA) consolidou-se na agenda estratégica da indústria paulista, deixando de ser tratada como uma tendência passageira para se tornar um vetor de ampliação de vendas, previsão de demandas e inteligência de mercado.
Pesquisa inédita realizada pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) com 285 empresas aponta que 72,2% das empresas consideram que a IA terá impacto relevante nos negócios. Os resultados da pesquisa foram apresentados no dia 7 de abril, durante a Jornada de Inteligência Artificial, promovida pela Fiesp.
Os resultados da pesquisa indicaram que 36,9% das indústrias paulistas já utilizam ou estão realizando testes com a tecnologia, tendo a IA Generativa como uma das principais portas de entrada. Esse número representa um aumento substancial em relação à pesquisa anterior, realizada em 2024, que indicava que 22% das empresas declaravam utilizar ou testar IA.
O levantamento aponta que, embora as indústrias se sintam tecnologicamente preparadas – com avaliações positivas para disponibilidade de dados, sistemas de gestão e infraestrutura de TI -, elas enfrentam um vácuo na organização estratégica. O principal gargalo é a ausência de diretrizes e políticas internas para o uso da IA, o que resultou na nota mais baixa do autodiagnóstico setorial: 2,8 em uma escala de 0 a 5. A fragilidade na governança é ainda mais alta entre as pequenas indústrias, onde a nota cai para 2,3, segmento em que a inovação avança sem acompanhamento de normas de cybersegurança e controle.
O receio com a segurança das informações, a falta de dados confiáveis para alimentar os modelos e a dificuldade de compreensão sobre como a IA pode auxiliar o negócio são outros pontos de atenção. Um entrave para a implementação é de ordem humana, manifestado na falta de conhecimento e de capacitação técnica. Nesse cenário, expectativas de redução de custos com a adoção da tecnologia concretizam-se apenas parcialmente. Entre os benefícios, os destaques estão na melhoria da tomada de decisões e em mais ideias inovadoras e insights.
“A inteligência artificial está transformando profundamente a vida das pessoas, dos Estados e das empresas, exigindo uma rápida adaptação de toda a sociedade. Mudanças que antes levavam uma década para se consolidar agora acontecem em questão de meses. A Fiesp e o SENAI estão atentos a essa transformação e oferecendo suporte prático ao setor produtivo, com trilhas de capacitação que vão do nível básico à alta especialização técnica”, diz Paulo Skaf, presidente da Fiesp.
Para detalhar o comportamento do setor, a entidade identificou quatro perfis de inovação. O grupo “Vanguarda” representa 17,5% das empresas e é formado por organizações de grande porte e alta maturidade que utilizam IA em escala. Os “Pragmáticos” somam 36,5% e buscam eficiência real, escalando projetos apenas após pilotos com ganhos tangíveis.
Já os “Cautelosos” compõem 29,5% da amostra; eles percebem o valor da tecnologia, mas operam com estruturas limitadas e demandam orientações passo a passo. Por fim, os “Céticos” representam 16,5%, são de pequeno porte e associam a IA a riscos e custos que ameaçariam a rotina e o controle dos processos.
A pesquisa “IA na Indústria Paulista” foi realizada pela Fiesp entre os dias 19 e 30 de janeiro de 2026. O estudo contou com a participação de 285 respondentes e utilizou técnicas de clusterização para identificar padrões de similaridade entre as empresas. A amostra abrange negócios de diferentes portes, desde pequenas empresas com faturamento de até R$ 10 milhões até grandes indústrias com receitas anuais superiores a R$ 300 milhões.

