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Entre o café mineiro e a tecnologia paulista, cooperativas enfrentam desafios para acelerar transformação digital

Entre o café mineiro e a tecnologia paulista, cooperativas enfrentam desafios para acelerar transformação digital

Digitalização no campo avança e impulsiona a competitividade no agro, mas ainda lida com barreiras culturais, estruturais e de conectividade

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Estudo da Fundação Dom Cabral, desenvolvido em mestrado profissional em Administração, identificou 22 barreiras à transformação digital em cooperativas de café e leite de Minas Gerais. A pesquisa aponta que a intenção de digitalizar existe, mas enfrenta obstáculos como a dificuldade de pequenos produtores com ferramentas digitais, resistência cultural, conectividade limitada e escassez de recursos.

 

O cenário mineiro reflete um movimento do agro brasileiro, responsável por 25,13% do PIB em 2025, segundo Cepea/CNA. O setor vive um descompasso entre organizações que já incorporaram a tecnologia e as que ainda lutam para avançar. Em paralelo, levantamento do Sistema OCB/InovaCoop apontou a rastreabilidade como uma das sete principais tendências para o segmento.

 

Enquanto cooperativas mineiras tentam superar essa resistência ao digital, o interior de São Paulo vive outro momento. A região de Campinas se consolidou como polo de inovação para o agronegócio, abrigando o IAC, a Unicamp e diversas agtechs. O contraste ilustra a convivência entre cooperativas que testam inteligência artificial e outras com gargalos estruturais básicos.

 

Para Luis Carlos Crema, advogado, contador e CEO do ST7 COOP, a resistência se deve ao desconhecimento sobre a dinâmica do produtor. “O produtor vive uma realidade muito particular dentro de uma cooperativa: ele é, ao mesmo tempo, dono, fornecedor e cliente do próprio negócio. Quando a tecnologia chega sem entender essa tripla função, ela acaba sendo vista como algo estranho à rotina dele, difícil de confiar”, afirma.

 

Crema atribui parte dos obstáculos à forma como o mercado trata a contabilidade do setor. “Não é a mesma contabilidade de uma empresa comum. Ela precisa ser feita de duas formas, uma convencional, outra cooperativista, levando em conta o que chamamos de ato cooperativo. Quando o sistema não nasce entendendo essa diferença, o produtor sente que está lidando com uma ferramenta que fala outra língua”, explica.

 

A urgência por tecnologia se reflete nos números. O Radar Agtech Brasil 2025 registrou 2.075 startups do agro no país, alta de 5%, enquanto 40% das empresas nacionais já usam inteligência artificial. Entre as recomendações da Fundação Dom Cabral para acelerar a transição estão capacitação, conectividade rural, plataformas simples, intercooperação e governança de dados.

 

Para Crema, a governança e o respeito à LGPD são pontos decisivos no ambiente cooperativo. “Antes de qualquer funcionalidade, o produtor precisa sentir que a informação dele está protegida e que vai ser usada para ajudá-lo a vender melhor o que produziu. Sem essa confiança, nenhuma tecnologia avança no campo”, conclui o executivo.

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