A nova edição da EY AI Sentiment Study, feita pela EY, reforça que a taxa de adoção da IA não é uniforme. E, mais do que isso, a pesquisa identifica oito mercados “pioneiros“, que estão mais avançados em sua jornada com a IA e para os quais o uso é mais amplo, frequente e integrado ao cotidiano. O Brasil é um deles, junto de Índia, China continental, México, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Hong Kong e Coreia do Sul.
Segundo David Dias, sócio-líder de Inteligência Artificial da EY na América Latina, “os mercados pioneiros podem ser vistos como uma prévia de quão rapidamente a adoção da IA pode acontecer quando o uso, a confiança e a capacidade avançam em conjunto. Essa tríade é um pilar fundamental para sustentar o uso da Inteligência Artificial de forma responsável e eficiente”.
Contudo, mesmo com o uso mais consistente, a confiança e risco seguem sendo os principais pontos de debate no que tange à utilização da Inteligência Artificial mundo afora. A média global aponta que 84% dos entrevistados usaram IA nos últimos seis meses, já no recorte Brasil, esse número sobe para 94%. Além disso, 75% dos brasileiros apontam algum tipo de preocupação com sistemas de IA sendo hackeados ou violados e 46% dizem confiar nas empresas para proteger seus dados.
“A confiança é ponto determinante na economia da IA, mas hoje, é inegável que a adoção está avançando mais rápido do que a confiança. Por isso, as organizações devem conquistar a confiança por meio de experiências positivas no dia a dia, apoiadas por dados confiáveis, diretrizes claras e responsabilidade para reduzir a lacuna entre comportamento e sentimento do usuário”, explica David.
Além da segurança, outros três pontos foram identificados na pesquisa como importantes para os usuários: controle, responsabilidade e autenticidade. 74% dos brasileiros concordam que a supervisão humana é necessária, mesmo que a IA seja precisa e 57% se dizem preocupados com a possibilidade de a IA tomar decisões que não reflitam sua ética ou prioridades pessoais. Já no que tange o segundo aspecto, 71% estão preocupados que as organizações não se responsabilizem pelo uso da IA que leva a consequências negativas e 61% questionam a possibilidade de as empresas não cumprirem suas próprias políticas de IA ou as regulamentações governamentais relevantes. Por fim, 62% temem que, com o surgimento da IA generativa, as pessoas percam a noção de realidade e 87% concordam que deve haver transparência clara quando algo foi criado ou influenciado por IA.
O Brasil também se destaca dentro dos mercados pioneiros quando perguntado sobre treinamentos significativos e educação sobre IA, com 47%, contra 36% da média dos demais países considerados pioneiros.
Outro aspecto trazido no estudo é a relação dos usuários com as organizações. “Nesse ponto, a confiança é moldada mais pela forma como a IA se comporta nos momentos que importam, do que pelas promessas da organização. De todo modo, é inegável que os consumidores queiram mais benefícios devido ao uso da tecnologia”, aponta o executivo. No Brasil, 68% esperam respostas mais rápidas e um serviço mais ágil e 62% consideram preços mais baixos ou melhor relação custo-benefício, por exemplo. Esses mesmos aspectos aparecem respectivamente com 59% e 54% na média dos países pioneiros.
Os mercados pioneiros também se sentem mais confortáveis para compartilhar informações e dados que possibilitam uma maior personalização e melhor experiência. 64% afirmam estar bastante confortáveis com compartilhamento de dados sobre saúde e bem-estar, 59% se dizem confortáveis em relação a conteúdo inseridos em ferramentas de IA, como prompts, mensagens ou documentos e 56% com dados pessoais demográficos, por exemplo. Trazendo para o recorte Brasil, esses dados são respectivamente 71%, 58% e 65%.
“O Brasil tem por característica ser aberto a experimentar novidades e isso é retratado na pesquisa. Se conseguirmos alinhar esse aspecto cultural com questões de regulamentação, escalabilidade, força de trabalho, o potencial é ainda maior, uma vez que a velocidade de transformação nos exige uma reinvenção cada vez mais rápida e constante”, pontua Dias.
IA como assistente pessoal
A pesquisa indica que os brasileiros têm preferência pela IA em cenários cotidianos. 26% responderam que usam a IA como assistente para resgatar ofertas ou descontos de fidelidade, 29% para sistema de segurança residencial e 49% dizem usar essa tecnologia para resolver problemas de atendimento ao cliente ou de faturamento.
O executivo comenta que “além do aumento no uso da IA no comparativo de 2025 com 2026, o estudo reforça que as tarefas cujos resultados são fáceis de revisar, corrigir ou alterar lideram o uso de IA”. Em 2025, 17% dos entrevistados usavam inteligência artificial para planejar viagens. Em 2026, esse número subiu para 25% e considerando o recorte Brasil apenas, esse valor sobe para 29%. O uso da IA para acessar a melhor rota enquanto dirige ou viaja também cresceu exponencialmente saindo de 27% no ano passado para 31% esse ano e 45% no recorte Brasil.
“Podemos separar seis grandes categorias nas quais as pessoas têm usado a inteligência artificial de forma consciente no Brasil: energia e mobilidade (84%), experiência do consumidor (80%), tecnologia e entretenimento (85%), saúde e bem-estar (79%), serviços do governo (74%) e atividades financeiras (72%)”, comenta David.
Dentro da categoria energia e mobilidade, o principal uso dos brasileiros é para melhores rotas (45%). Em experiência do consumidor, o primeiro lugar fica para o suporte, como chatbots (42%). Para tecnologia e entretenimento, a atividade central no uso da IA é na criação ou edição de vídeos/memes ou posts de redes sociais (44%). Em saúde e bem-estar, o principal é obter informações rápidas sobre saúde sem consultar um médico (42%). No que se refere aos serviços do governo, o primeiro lugar ficou para encontrar informações ou órgãos mais apropriados para entrar em contato (33%). Por fim, nas atividades financeiras, o principal uso é para planejamento e gestão do orçamento doméstico (36%).
Sobre o estudo
O material ouviu 18.152 pessoas de 23 mercados, incluindo o Brasil, entre dezembro de 2025 a janeiro de 2026. O objetivo da EY foi realizar uma pesquisa para entender melhor como as pessoas comuns compreendem, usam e pensam sobre o futuro da IA. As respostas foram ponderadas para refletir a distribuição de idade, gênero e localização de cada respondente.
Os 23 mercados são Alemanha, Arábia Saudita, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coréia do Sul, Dinamarca, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, Finlândia, França, Hong Kong, Índia, Irlanda, Itália, Japão, México, Nova Zelândia, Noruega, Reino Unido, Singapura e Suécia.


