A Thoughtworks, divulgou os resultados do relatório global intitulado “Modernization Is No Longer a Project: AI-Enabled Managed Services for Continuous Change”. Os dados revelam um descompasso crítico entre adoção de IA e maturidade nas operações de TI. O estudo explora o que diferencia líderes em operações de aplicações daqueles que permanecem presos a uma abordagem ineficaz e “intermitente” de modernização.
Embora a adoção de IA seja ampla entre grandes empresas, a maturidade operacional ainda está significativamente atrasada. Enquanto quase nove em cada dez organizações já adotaram ferramentas de IA, a grande maioria (aproximadamente 90%) permanece presa a ciclos reativos de modernização. Apenas 12% conseguiram romper esse padrão e migrar para um modelo totalmente contínuo de otimização orientada por IA.
A vantagem central da modernização
Organizações mais maduras estão abandonando iniciativas pontuais em favor de um mecanismo contínuo de modernização. Essas empresas utilizam IA para gerar ganhos mensuráveis:
- Velocidade de releases: 45% mais rapidez no lançamento de produtos e funcionalidades.
- Segurança liderada por IA: migração para gestão de vulnerabilidades orientada por IA, com redução de 48% na exposição a riscos.
- Escalabilidade arquitetural: melhoria na manutenibilidade e escalabilidade dos sistemas (36%), além de maior alinhamento entre TI e objetivos de negócio (34%).
“A era da modernização intermitente de aplicações não é mais sustentável”, afirma Josh Burks, SVP e Líder Global de Managed Services da Thoughtworks. “Nossa pesquisa com a IDC confirma que uma abordagem reativa e baseada em projetos gera altos custos, vulnerabilidades de segurança e impactos significativos nas equipes. Para manter vantagem competitiva e entregar IA que realmente funcione, as organizações estão deixando intervenções pontuais arriscadas e adotando um modelo de modernização contínua.”
“A segurança e as operações corporativas estão se tornando rapidamente orientadas por IA, mas a maioria das organizações ainda não possui maturidade suficiente para alcançar os benefícios esperados”, complementa Jennifer Thomson, AVP Global Services Insights da IDC. “O movimento que observamos é a adoção de uma estratégia ‘human-in-the-loop’, na qual a expertise humana é reservada para decisões arquiteturais estratégicas e resolução de problemas complexos. Ao focar em inteligência de pipeline e segurança automatizada, as organizações conseguem finalmente aproximar operações de TI e objetivos de negócio, substituindo modelos baseados em headcount por modelos de risco compartilhado que incentivam velocidade e escala.”
Uma nova realidade comercial
À medida que as organizações tentam se libertar da manutenção reativa, o relatório destaca que a IA está saindo da promessa e entrando na prática nas operações de aplicações; no entanto, o sucesso será definido por comprovação de valor, qualidade de dados e um realinhamento fundamental de pessoas e processos.
As organizações estão abandonando modelos intensivos em pessoas e baseados em headcount, adotando:
- Marcos de inovação: 56% desejam contratos atrelados a mandatos de melhoria contínua.
- Risco compartilhado: 43% buscam modelos de compartilhamento de risco e recompensa para iniciativas de modernização.
- KPIs baseados em valor: o sucesso passa a ser medido por velocidade, resiliência e experiência do cliente, e não apenas por disponibilidade (uptime).
Para reduzir essa lacuna, a Thoughtworks propõe um plano de ação de 180 dias focado em comprovar valor por meio de inteligência de pipeline, remediação orientada por IA e capacitação das equipes em alfabetização em IA e machine learning, apontada como a principal competência crítica em todos os setores.
Metodologia
A pesquisa foi conduzida pela IDC e ouviu 500 tomadores de decisão sêniores em TI e digital nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e APJ, representando grandes organizações (com mais de 1.000 funcionários) dos setores de manufatura, finanças, varejo e ciências da vida. Os respondentes atuavam majoritariamente como decisores de tecnologia ou influenciadores-chave e representavam empresas que já utilizam IA ou planejam adotá-la nos próximos dois anos.

