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Metade das Startups do Brasil já utiliza IA, aponta Sebrae

Metade das Startups do Brasil já utiliza IA, aponta Sebrae

Levantamento do observatório para Startups mapeia 22.869 empresas inovadoras, aponta crescimento de 26,7% em um ano e mostra predomínio de modelos B2B e SaaS no país

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A Inteligência Artificial deixou de ser diferencial e passou a ser infraestrutura básica para as startups brasileiras. É o que mostra o Sebrae Startups Report Brasil 2025, lançado pelo Observatório Sebrae Startups, que revela que 51,8% das empresas inovadoras do país já incorporam IA em seus produtos ou operações.

 

O dado é um dos destaques do levantamento, que avaliou 22.869 startups mapeadas pelo Sebrae até dezembro de 2025 — um crescimento de 26,7% em relação ao ano anterior. Em 2023, eram 11.336 negócios; em 2024, 18.056; agora, o ecossistema se aproxima da marca de 23 mil empresas.
Além da consolidação da IA, o estudo mostra um mercado majoritariamente orientado ao modelo B2B, com preferência por receitas recorrentes via SaaS (Software as a Service) e concentração de empresas ainda na fase de validação, indicando um ambiente focado em experimentação estruturada e ajuste de soluções. O Sudeste segue como principal polo, mas o Nordeste aparece como a região de maior expansão proporcional, reforçando a transição para um modelo mais distribuído de inovação no país.

Crescimento acelerado e nova geografia da inovação

A distribuição regional confirma a liderança histórica do Sudeste, que concentra 36% das startups brasileiras. O Nordeste já ocupa a segunda posição, com 25,2%, à frente do Sul (20,3%), Centro-Oeste (9,7%) e Norte (8,8%).

No recorte estadual, São Paulo (5.119 startups), Santa Catarina (2.239) e Minas Gerais (1.385) seguem como os principais polos, respondendo juntos por 38,3% do total mapeado. Entre os estados líderes, Pernambuco registrou o maior crescimento percentual, com alta de 72,2%.

O ranking municipal reforça essa descentralização. A cidade de São Paulo concentra 10,6% das startups do país (2.416 empresas, +26,4% no ano). Na sequência aparecem:

  • Florianópolis (921; +18,1%)
  • Rio de Janeiro (724; +24,6%)
  • Recife (640; +46,1%)
  • Fortaleza (571; +40,6%)
  • Brasília (541; +20,8%)
  • Belo Horizonte (490; +22,8%)
  • Curitiba (481; +15,9%)
  • Porto Alegre (450; +27,8%)
  • Teresina (440; +19,2%)

 

Perfil: B2B, SaaS e software dominam o ecossistema

O retrato setorial indica forte orientação ao mercado corporativo. Mais de 70% das startups operam em modelos B2B (50,5%) ou B2B2C (22,6%), enquanto apenas 19,2% vendem diretamente ao consumidor final.

O setor de Tecnologia da Informação lidera, com 14,5% das startups. Na sequência aparecem:

  • Saúde e Bem-Estar (11,8%)
  • Educação (8,5%)
  • Agronegócio (7,5%)
  • Impacto Socioambiental (6,1%)

 

No modelo de receita, o padrão é recorrente: 39,1% adotam SaaS, seguido por vendas diretas (27,9%), modelo transacional (9,4%) e marketplace (6,6%). O principal produto oferecido é software (39,3%), seguido por serviços (35,8%). Produtos físicos representam 16,3%, e hardware apenas 2,1%, indicando baixa intensidade de deep tech e predominância de soluções digitais. A concentração no B2B posiciona as startups como vetores de modernização das pequenas e médias empresas (PMEs), ainda que isso traga desafios de escala, dado o ticket médio menor e a pulverização de clientes.

Ecossistema jovem, digital desde a origem

O estudo mostra um ambiente ainda em estágio inicial de maturidade, mas tecnicamente sofisticado. A maior parte das startups está na fase de validação (37,7%), enquanto 25,1% estão em ideação. Somadas, mais de 60% encontram-se nos estágios iniciais, reforçando o caráter experimental do ecossistema.

Do ponto de vista financeiro, 56,1% ainda não geram receita, o que é coerente com o estágio de desenvolvimento. Outras 29,7% faturam até R$ 81 mil, e 12,8% entre R$ 81 mil e R$ 360 mil. Apenas 1,3% superam R$ 4,8 milhões. Na estrutura societária, predominam times enxutos: 47,1% têm de dois a três sócios, enquanto 27,1% são empreendedores solo.

Em tecnologia, além da IA (51,8%), destacam-se:

  • APIs (26,7%)
  • Tecnologia sustentável (24,8%)
  • Computação em nuvem (22,6%)
  • Visualização de dados (19,1%)
  • Análise de dados (18,7%)
  • Chatbots (16,8%)

 

Quatro tendências estruturais

O Sebrae Startups Report Brasil 2025 aponta quatro movimentos que ajudam a explicar o momento atual do ecossistema e sinalizam seus próximos ciclos de desenvolvimento.

 

Consolidação do modelo multi-hub: o Brasil avança de um ecossistema concentrado para uma rede mais distribuída de polos de inovação. São Paulo permanece como principal centro, concentrando cerca de um quarto das iniciativas, capital e conexões estratégicas. Ao mesmo tempo, cidades como Florianópolis, Recife, Fortaleza e Belo Horizonte ampliam sua densidade de startups e passam a disputar protagonismo em segmentos específicos. Esse modelo multi-hub indica amadurecimento institucional, maior articulação regional e uma infraestrutura de apoio mais capilarizada. A descentralização não reduz o peso dos grandes centros, mas amplia a base do ecossistema nacional.

 

Crescimento fora do eixo tradicional: estados do Nordeste apresentam taxas de crescimento superiores à média nacional. Pernambuco, por exemplo, registrou alta de 72,2% entre os líderes estaduais. Bahia, Ceará e Piauí também aparecem como ecossistemas em expansão. Esse avanço está associado à combinação de universidades, hubs locais, políticas de incentivo e maior digitalização da economia regional. O Norte e o Centro-Oeste despontam como próximas fronteiras, com potencial ligado a vocações produtivas como agronegócio, bioeconomia e energia. O desafio passa a ser aumentar a densidade de capital de risco e fortalecer conexões com mercados maiores.

 

Startups como agentes de modernização das PMEs: o predomínio do modelo B2B — que representa mais de 70% das startups — posiciona essas empresas como camada de transformação digital das pequenas e médias empresas brasileiras. Ao oferecer soluções de gestão, automação, crédito, saúde, educação e logística, as startups atuam como infraestrutura tecnológica para negócios tradicionais. Por outro lado, o foco em PMEs impõe desafios de escala. Tickets médios menores e alta pulverização de clientes exigem eficiência comercial e expansão para grandes empresas ou mercados internacionais como próximo passo.

 

Ecossistema jovem e baixa presença de deep tech: mais de 60% das startups ainda estão nas fases de ideação e validação, o que revela um pipeline ativo de inovação. O volume elevado de empresas em estágio inicial sugere renovação constante do ecossistema. Ao mesmo tempo, a predominância de software e serviços — e a baixa participação de hardware (2,1%) — indicam menor intensidade de deep tech e inovação científica aplicada. Isso não representa estagnação, mas sinaliza a próxima agenda estratégica: estimular negócios de maior complexidade tecnológica, ampliar parcerias com universidades e centros de pesquisa, e fortalecer mecanismos de financiamento de longo prazo.

 

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