Disciplina e perseverança como mantra
A área de tecnologia representava um sonho de criança para Paulo Vieira, diretor de TI da Companhia das Letras, uma das mais importantes editoras do País. Doenças oportunistas na infância deixaram sua saúde fragilizada na época e o levaram a alguns ciclos de isolamento longe da escola, da prática de esportes e das brincadeiras na rua do bairro de Sapopemba, zona Leste de São Paulo, onde conviveu com pessoas oriundas de diversas partes do País, como seus pais, nordestinos, e mesmo de outros lugares do mundo, trabalhando com seus pais como feirante.
Foi quando um problema se transformou em uma oportunidade, segundo suas próprias palavras, fazendo com que se tornasse um leitor voraz e, como ele mesmo diz, abriu seus olhos para o universo lá fora. “Lia tudo o que caía nas minhas mãos e fazia questão de pesquisar para entender o que estava lendo. Eu buscava conhecimento sobre diversos assuntos com muito interesse e sede de aprender.” Entre os temas que o fascinavam estava a ficção científica, que fez com que começasse a sonhar em se tornar cientista, o que acabou levando-o à faculdade de Tecnologia.
Dos pais, feirantes, Paulo diz que herdou um aprendizado que leva consigo até hoje: “Disciplina e perseverança. Mirar um alvo e ir atrás” E este virou seu mantra. A primeira experiência na área de TI foi em 1986 no Makro Atacadista, ainda no início da faculdade, seguido por trabalhos em empresas de TI que prestavam serviço de programação e suporte para corretoras de valores. Depois passou por companhias como a Basf, o antigo magazine Mappin e a fabricante de tintas Suvinil.
Em 1991, ingressou na Goodyear onde permaneceu nada menos do que 24 anos. Paulo começou trabalhando com mainframe e conta que já naquele momento interagia com as áreas de negócio. “Eu tinha que entender o que precisavam e traduzir para a tecnologia.” Os primeiros 12 anos na empresa ele classifica como predominantemente técnicos.
Nos anos seguintes na companhia passou a atuar em gestão de processos e de pessoas. Foi quando assumiu o gerenciamento da implantação do SAP. “Adotamos como principal referência o modelo utilizado na Europa, porém este não se mostrou aderente às necessidades locais”. “Não deu certo”, diz ele. “Acho que este foi o momento mais pesado que enfrentei ali. Tivemos que reiniciar o projeto do zero” E, como conta Paulo, ele foi retomado tendo como premissa a construção de um modelo América Latina, considerando as localizações necessárias para cada país, chegando então ao resultado esperado. Foi quando também teve a oportunidade de conviver com pessoas de várias partes do mundo, o que era outro de seus objetivos, retomando o que tinha vivido na infância.
Segundo Paulo, a evolução do perfil técnico para a gestão foi um de seus grandes desafios, culminando com a coordenação do processo de implementação do ERP, o que o levou ao cargo de Gerente de TI para a América Latina. Na Goodyear ajudou também a montar o time de governança de BI e Analytics.
Com o fechamento do escritório da Goodyear na região, Paulo deixou a empresa em 2015, quando mudou de lado na mesa e foi para a Atos, onde assumiu a gerência de projetos de clientes como a farmacêutica Sanofi. Em seguida, na Atento, passou a ter contato com um universo muito diferente do vivido até então na indústria. Também gerenciou projetos na Roche e na Votorantim, quando em 2019 recebeu o convite da Companhia das Letras.
“O que me chamou a atenção logo de início na Companhia das Letras foi a possibilidade de transformar e de fazer diferença”, diz Paulo. A Companhia das Letras estava justamente em meio a um processo de transformação de uma empresa familiar nacional para uma empresa associada a um grupo editorial global, a Penguin Random House que, por sua vez, faz parte do grupo Bertelsmann, um conglomerado multinacional alemão de mídia, serviços e educação. “Meu papel inicial foi justamente atuar na integração entre as duas companhias não só do ponto de vista de TI, mas também ajudando as outras áreas de negócio neste processo, principalmente por meio da liderança na implantação do ERP SAP.”
Anteriormente, a empresa trabalhava com um ERP interno que já estava obsoleto. “Mantivemos o suporte ao sistema antigo para manter a operação e em paralelo planejamos e executamos a implantação do SAP, sistema que já era utilizado pela Penguin Random House”, explica. Em 2022, Paulo passa a ocupar a Diretoria de TI, liderando a área de TI como um todo compreendendo sistemas, infraestrutura e segurança da informação.
Como próximos passos, Paulo cita a revisão e atualização dos portais tanto Business to Business quanto Business to Consumer, melhorando a integração com ERP(SAP), buscando uma maior automação, integração e produtividade e consequentemente um melhor atendimento e satisfação dos clientes. “Quando implantamos o SAP, miramos principalmente da porta para dentro, buscando impactar o menos possível os nossos clientes”, explica. E acrescenta, “agora chegou a hora de olhar da porta para fora buscando uma relação mais produtiva com nossos clientes, pensando sempre na integração destes processos e dos demais sistemas com o SAP. Estamos trabalhando na adoção de padrões globais de segurança da informação, na expansão do uso da ferramenta CRM, na automação de processos internos e na melhoria do processo de atendimento a clientes”.
O uso de IA também está nos planos da Companhia das Letras e Paulo destaca que esta é uma iniciativa que está sendo desenvolvida em conjunto por algumas áreas, capitaneada pelo setor de Inteligência de Negócios com o suporte da TI. “Estamos juntos buscando as melhores soluções a serem implementadas para o bem da companhia como um todo”.


