Fascinada pela lógica
Nascida em Araçatuba, interior de São Paulo, terceira filha mulher de cirurgiões-dentistas e vinda de uma família com forte atuação na área da saúde, Daniela Komatsu surpreendeu o pai quando aos 14 anos se interessou por fazer cursos de linguagem de programação. “Era tudo muito racional e aquilo me encantou e foi o que determinou minha escolha profissional”, diz. Mesmo surpreso, pois achava que a filha seguiria no ramo da odontologia, o pai a incentivou e na juventude a presentou com um computador MSX Expert. “Isso já foi diferente porque a maioria dos meus amigos estava na fase dos videogames.”
Na hora da escolha da profissão, decidiu cursar Engenharia da Computação para, como ela diz, trabalhar com lógica para resolver problemas e chegar às soluções. Deixou a casa do pais aos 17 anos para estudar e morar em Campinas, a cinco horas de distância. E antes mesmo da faculdade já havia decidido que queria trabalhar em um multinacional pelas oportunidades que este tipo de empresa poderia oferecer.
Daniela diz que nesta época ainda não compreendia as dificuldades que poderia enfrentar na área de Exatas por ser mulher. “Dos 50 colegas de turma, apenas 10% eram mulheres.” O sonho da multinacional começou a se viabilizar em um concurso para estágio na IBM que ela passou sendo mais tarde efetivada e assim iniciou sua vida profissional na empresa, onde permaneceu por cinco anos. Seu primeiro projeto foi participar da implantação de um software de gestão empresarial para a CSN – Companhia Siderúrgica Nacional e, já como efetiva e trabalhando em São Paulo no icônico prédio da empresa na rua Tutóia, no bairro do Paraíso, tornou-se consultora SAP participando de implementações em companhias de diversos setores da economia em todo o País.
Entre os projetos realizados na ocasião, Daniela destaca o que ela liderou de gestão de almoxarifado em um fabricante de peças para automóveis. Daniela conta que fez diversas entrevistas com o público interno da empresa para entender os tipos de armazenagem. O projeto incluía também sistema de RFID e lembra que teve que fazer a virada sozinha em três armazéns quase que simultaneamente.
Da IBM, Daniela foi para a Accenture e pela companhia trabalhou em uma indústria farmacêutica com sede em Porto Rico. Nos 13 anos de Accenture, ela diz que desenvolveu sua carreira de liderança. “Eu já trabalhava num modelo de serviços compartilhados e criamos células de conhecimento técnico/profissional. No meu caso, o foco era WM – Warehouse Management.” A partir daí ampliou seu escopo com outras tecnologias assumindo a gestão de times em lugares tão diversos quanto Índia, Filipinas e Argentina.
Como gestora, foi convidada pela empresa a participar de um programa de Diversidade e diz que aí compreendeu que estar em tecnologia sendo mulher era considerado fator de diversidade. “Entendi então a importância de ser uma líder mulher na área de Tecnologia e essa foi uma causa que abracei. E acredito que um time diverso produz de forma diferente e mais produtiva”, afirma.
Depois de muitos anos na Accenture, Daniela diz que queria experimentar o lado cliente da TI e foi quando recebeu o convite do Fleury para liderar a área de Gestão e Relacionamento com as Áreas de Negócios. No laboratório, conta que fez uma pós-graduação em uma semana quando a empresa, durante a pandemia, sofreu um ataque cibernético. Ela destaca que o fato envolveu vários aspectos como resiliência e capacidade de liderar e a crença no ser humano. Toda a comunicação via internet teve que ser interrompida preventivamente por causa do ataque e os funcionários da área de TI, principalmente, tiveram que estar presencialmente, mesmo considerando o risco, para garantir a entrega dos resultados dos exames para os clientes. “Um grupo mandava e-mail para os clientes pelo 5G, mas além disso tinha todo um entorno garantindo a segurança das pessoas e toda a infraestrutura que incluía transporte, alimentação entre outros”, conta. E lembra que o problema foi resolvido em três dias mas o trabalho nos bastidores chegou a dois meses.
Daniela destaca a própria pandemia como outro dos grandes desafios enfrentados no Fleury. “Tivemos que nos preparar para atender às áreas de negócio naquele momento especial e tão diferente de tudo vivido até então. E não era só Covid, as pessoas também estavam ficando mais doentes em função de toda a situação.” E destaca a grande mobilização de todos os funcionários. Segundo Daniela, o fato de estar na área da Saúde também foi muito gratificante. “É um ecossistema complexo, depende muito de dados, é racional, analítico e isso me retorna à quando decidi seguir tecnologia e, ao mesmo tempo, às minhas origens familiares na área.
Depois de seis anos, Daniela vai para a Espaçolaser, uma rede de clínicas de depilação. “Foi uma mudança muito interessante, era bem diferente de tudo que eu tinha vivido até então e onde teria muito a contribuir”, diz. “Era uma empresa jovem, brasileira, de menor porte, de dono e que tinha acabado de fazer seu IPO e estava estruturando sua governança corporativa.” Ela conta que a proposta era muito interessante e entre os trabalhos realizados destaca o que chama de letramento e governança de dados, onde a empresa ainda não tinha um bom nível de maturidade. E conta que traçou todo um plano de ação para que o dado fosse uma ferramenta que ajudasse efetivamente a companhia a alcançar seus objetivos, iniciando inclusive pela parte conceitual da questão.
Outro projeto destacado por Daniela à frente da TI foi a Jornada do Cliente abrangendo da captação do lead até a conversão e o pós-venda. “Minha agenda sempre foi muito mais próxima do negócio do que da técnica”, afirma. Daniela, hoje em processo de transição, tem estudado o uso da IA, “sem romantizar”, diz ela, e outros aspectos que ela define como de crescimento pessoal. “Estou aproveitando para pensar onde a Dani quer estar daqui a dez anos.”


