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Alexandre-Junqueira

Entrevista com Alexandre Junqueira Franco, CIO

Entrevista com Alexandre Junqueira Franco, CIO

O bate-papo para esta Bastidores da TI foi com Alexandre Junqueira Franco, CIO com experiência em indústria e no setor elétrico, tendo passado pelas principais empresas deste setor como Enel, EDP e CPFL. A opção por tecnologia foi quase natural a partir do exemplo do pai, diretor de Informática que desde cedo o levava para o CPD, ambiente que ele conta que o encantou e foi que foi um dos fatores de decisão para a escolha da profissão. Conheça a história de Alexandre nesta edição da Bastidores da TI. Boa leitura!

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Casa de ferreiro… espeto de ferro

 

O título mostra o que aconteceu com Alexandre Junqueira Franco, CIO com vários trabalhos no setor elétrico e industrial e que desde os sete anos se encantou com tecnologia quando visitava o pai em seus plantões de final de semana como Diretor de Informática, na época na empresa Lojicred. “Aquele ambiente de CPD com mainframes, fitas e caixas de cartões perfurados me fascinava”. Quando o melhor amigo da escola ganhou um micro modelo TK2000 e com ele começou a fazer pequenos programas e joguinhos, Alexandre passou a juntar dinheiro para adquirir seu próprio equipamento e nele começou a desenvolver pequenos programas em Basic.

 

E o pai o incentivou e durante uma reforma da casa de praia mostrou um software que a partir da escolha do revestimento apresentava como o ambiente ficaria quando pronto. Foi o ingrediente final para que o jovem já ali, aos 15 anos, desenvolvesse seu próprio CAD usando linguagem Basic e a partir daí definisse o seu futuro. E este futuro começou na empresa que o pai havia montado de desenvolvimento de sistemas contábeis e comerciais para pequenas empresas, onde ele passou a trabalhar enquanto cursava o segundo grau, e se consolidou na Faculdade de Ciência da Computação na USP.

 

Saindo do âmbito familiar, Alexandre foi trabalhar na Sucos Maguary, sua primeira experiência profissional. Em seguida na Solvay, grupo belga produtor de componentes químicos, Alexandre foi implementar um sistema da HP com foco nas áreas de finanças e contabilidade. Foi quando um amigo da época da Maguary havia aberto uma consultoria e tinha fechado um contrato para desenvolvimento de todos os sistemas da Parmalat e o chamou para atuar como coordenador de sistemas fazendo a intermediação entre as necessidades das áreas de negócio e os desenvolvedores.  Em um segundo momento o trabalho se estendeu também para a área de business intelligence até ser convidado por um outro amigo, este dos tempos da Solvay agora atuando na Ernest & Young, para participar de uma das primeiras implementações do SAP R/3 incluindo o módulo de EIS – Executive Information System na holding do grupo Camargo Corrêa. Também pela consultoria, em 1998 atuou no SBT como PMO.

 

Mas foi no setor elétrico, mais especificamente na CPFL, também por meio da Ernst & Young, que Alexandre conta que ganhou o que ele chamou de musculatura de gestão. A partir desta experiência, o mesmo grupo da consultoria passa a atuar na EDP, empresa portuguesa também do setor elétrico, onde Alexandre ocupou o cargo de Gerente de Projetos e PMO. Com a separação dos sócios da EDP Bandeirante, que ficou com as regiões do Vale do Paraíba e Alto do Tietê, em 2001 ele assume a área de TI como Gerente Executivo, onde permaneceu por oito anos.

 

Na EDP Bandeirante, Alexandre teve como desafio a modernização da companhia e a mudança de seu modelo de governança desativando os mainframes e trocando todos os sistemas administrativos, técnicos e comerciais com um processo de full outsourcing. Ele destaca que em 2004 foi a primeira implementação no Brasil do SAP IS-U/CCS, sistema da SAP focado em Utilities, hoje adotado pela maioria das distribuidoras de energia. E conta que foi uma implementação muito difícil uma vez que o sistema não estava pronto para atender à regulamentação do setor no País. E lembra que tiveram muitos problemas também com a migração dos dados do mainframe e o que levou ao recadastramento de todos os clientes. “Foi um aprendizado duro mas bastante interessante porque virou referência e muita gente foi lá aprender com os nossos erros”, diz. No que Alexandre chama de seu segundo ciclo na EDP, quando foi criada a holding que reuniu as empresas do grupo, a Energias do Brasil, ele assume como Superintendente de TI com o desafio de percorrer o caminho feito anteriormente na Bandeirante, agora para todo o conglomerado.

 

Em 2011, Alexandre retorna à CPFL, agora como responsável pelo Departamento de Projetos e Soluções de Negócios fazendo o link entre demandas das áreas de negócio e a área de TI com desafios semelhantes aos vividos no grupo EDP. Além de unificar o ERP de todas as empresas do grupo e estender as soluções comerciais para todas as distribuidoras do conglomerado, Alexandre destaca a coordenação do programa Tauron, de transformação do modelo de gestão e de operações da companhia e que envolveu dois grandes projetos de TI: Operação&Mobilidade e Telemedição Grupo A. O primeiro foi pioneiro na comunicação com as equipes em campo por meio de tablets para o deslocamento destas para atendimentos emergenciais. O segundo programa envolveu a medição remota em tempo real de grandes clientes, como indústrias e outros, gerando uma gestão otimizada destes que são os clientes que geram maior receita.

 

Em 2020, Alexandre retorna para a indústria na Henkel como Head de TI Latam com desafio de padronizar os processos preparando a Henkel América Latina para receber um roll-out global de uma solução que estava sendo implementada em todas as operações da empresa alemã no mundo.

 

De volta ao setor elétrico, Alexandre foi para a Enel em meio à pandemia tendo como foco garantir que os clientes tivessem acesso aos serviços sem ter que se deslocar às lojas que estavam fechadas pelo lock down, além da estabilização e roll-out das soluções comerciais, migração de soluções para nuvem e da implementação de soluções analíticas para a tomada de decisão. Ele lembra também das crises climáticas a partir de 2023 com ventos que geraram uma demanda muito maior exigindo resiliência e escalabilidade, além de implementação de soluções de disaster recovery.

 

Hoje, Alexandre se prepara para novos desafios e diz buscar empresas onde sua atuação possa causar impacto “e onde a tecnologia tenha papel estratégico”, conclui.

 

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